Artigo

CONTEÚDO#2

Documentos  Inexplorados

por Prof. Paulo Soethe

Aprenda sobre os documentos e periódicos que estão sendo resgatados e indexados online pela equipe do projeto lemmbra.de

Longe dos olhos, longe do coração

A história que se conhece e divulga tem a ver com a memória que se pretende valorizar. Para se refletir sobre o passado é preciso considerar também as personagens ao pé do monumento que retrata um governante poderoso. Ou as figuras nas margens da pintura que retrata um feito grandioso.

Hoje o Brasil está preocupado com valorizar a memória de grupos humanos deixados de lado por muito tempo. A comunidade negra e os povos originários, por exemplo: seus costumes, seus idiomas, seus anseios.

Documentos de diversas comunidades de cidadãos brasileiros que falavam outras línguas (italiano, alemão, polonês, japonês, árabe, entre outras) também deixaram de ser levados em conta nos últimos 80 anos. O Brasil sempre foi um país multilíngue, e tornou-se ainda mais com a chegada de imigrantes. Mas em 1938 o regime ditatorial sob o Estado Novo começou a proibir o uso público de qualquer outro idioma exceto português.

Na época o Brasil tinha cerca de 43 milhões de habitantes. Destes, cerca de 1,5 milhões falavam alemão em seu dia a dia, por exemplo. Estima-se que as dezenas de jornais brasileiros que circulavam em alemão na época eram lidos por cerca de 800 mil pessoas. Entre 1938 e 1941 essa imprensa acabou por completo, e isso vale também para outros idiomas como o italiano, o polonês e diversos outros.

Os cerca de 1,4 milhões de páginas de jornal publicados em alemão no Brasil contém não apenas notícias locais, mas principalmente textos sobre os grandes temas nacionais e internacionais. Na Olimpíada lemmbra o participante que sabe alemão poderá conhecer, ler e corrigir textos vindos desses jornais. São documentos ainda pouco estudados, mas de grande interesse e relevância históricos.


Por causa da nacionalização autoritária e da proibição do uso de outros idiomas no Brasil dos anos 1930, apenas uns poucos títulos e muito poucas páginas de jornais brasileiros em outros idiomas encontram-se depositados em arquivos públicos, exceto em municípios ou estados fortemente marcados pela imigração. A maioria dos exemplares ainda existentes está em acervos privados. Estima-se que ainda se podem recuperar e disponibilizar cerca de 60% das páginas de jornal publicadas em língua alemã no Brasil

Por exemplo, boa parte dos textos usados na Olimpíada provém do jornal Germania, de São Paulo, disponível no Instituto Martius-Staden, mantido pelo Colégio Visconde de Porto Seguro. Em parceria recente com essa instituição particular, a Biblioteca Digital UNESP digitalizou a coleção do Germania.

Foto do periódico Germania, que serviu como base para parte das tarefas

Link para o ver o periódico

Com a digitalização dos exemplares de jornais que sobreviveram ao tempo, o Brasil e a comunidade internacional ganham um volume imenso de documentos novos. Ganham também as comunidades de língua alemã e seus descendentes. No ambiente digital todas e todos podem se confrontar com seu passado, e aprender, entre muitas coisas, o quanto os cidadãos brasileiros de língua alemã condenaram a escravidão e se solidarizaram com a população negra escravizada.

O laboratório de estudos da
memória multilingue brasileira

Somos um grupo de pesquisa e estudo de documentos e periódicos criados pelos imigrantes alemães no brasil que estavam perdidos no tempo. Até agora.

No site do projeto você pode acessar coleções de documentos e jornais indexados por nós de vários orgãos como Arquivo Nacional, Biblioteca Nacional, UFPR e outros.